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Second Life: uma ilhota de geeks, nerds e outros que, se não são, passam bem por isso

4 Comentários
SL® geral GetaSecondLife 4 https://getasecondlife.net/2008/12/second-life-geral/second-life-uma-ilhota-de-geeks-nerds-e-outros-que-se-nao-sao-passam-bem-por-isso/#comments
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Ok, rapaziada, alguém já ouviu falar de Tonga?

Ah já, claro. Algures no éter das informações inúteis, toda a gente já ouviu falar de Tonga, quanto mais não seja por ter um nome giro. Bom, Tonga é uma ilhota algures no Pacífico Sul e tem uma população de cerca de 100 mil pessoas. Capaz de ser até bem bonito, Tonga, cheio de água e areia e palmeiras. Uns ciclones de vez em quando, que causam crashes nas cerca de 100.000 pessoas que estão logadas…

…hum.

Acho que estou a confundir, espera lá. Estava a falar de um sítio que tinha uma população logada, perdão, viva, de 100 mil pessoas, com muita água e areia, que toda a gente já ouviu falar e, se pudessem todos ir lá visitar só para ver como era, sem grandes custos, aposto que até chegava aos cinco milhões de contas, perdão, turistas.

Assim é o Second Life para o mundo inteiro. Uma espécie de Tonga, que toda a gente já ouviu falar de longe, ah giro, sim, sim, mas muito longínquo e irrelevante. Tenho pensado muito nisto, agora ainda mais que o SL saiu de moda e praticamente é tão importante para a maioria das pessoas como outra coisa qualquer pouco importante que se passe online. Não é um google, não é sequer um WoW, não tem folclore literário como o Lotro, é uma mania de algumas pessoas, prontush. Umas pessoas mais geeks, outras que acham piada, outras que têm curiosidade, enfim, o SL, a bem dizer, *é* uma curiosidade. Uma característica de alguns amigos nossos, como outras, uma espécie de mania quase inócua, porque não risca sequer a superfície da vida normal de toda a gente, à excepção daquelas dezenas de milhares de “tongoleses”.

O facto de estarmos imersos no SL, seja porque razão for, por questões de trabalho, de pesquisa, de puro entretenimento, de meio simples, rápido e barato (e bonito, que tem paisagens lindas e as bonecas são engraçadas) de comunicação, causa-nos um certo desvio da realidade real. Damos muito mais importância àquilo do que realmente tem, achamos que sem aquilo a nossa vida seria diferente (e seria, como seria se tropeçássemos no passeio e partíssemos duas pernas em dez sítios ou nos saísse o euromilhões e quem diz isso diz até o vigésimo da lotaria de Natal), pensamos que há ali um certo futuro (não há, o SL será sempre um nicho de mercado, como muito bem diz a Gwyneth Llewelyn e nesse nicho, claro que *é* o futuro, mas isso remete apenas para o futuro daquele tipo de mundo virtual), enfim, damo-nos mais importância por sermos residentes em Tonga, perdão, no SL, do que aquela que temos relativamente ao mundo em que vivemos.

E, às vezes, é bom uma pessoa ter plena noção disso. Relativizar. Retirar do SL aquilo que tem de bom, seja em que área for, mas relativizar sempre: a grande maioria das pessoas não conhece o SL, algumas já ouviram falar, dessas a grande parte acha esquizóide e não passamos de mais uma espécie de cromos. Contentes, pois tá claro, cada um na sua mania e gosto, mas sem importância nenhuma para quase nada.

Um gajo, quando se remete à sua própria insignificância, é muito saudável mesmo. 😀

(e agora vou ali ver de umas hunts e mais umas coisas e experimentar uns vestidos que se faz tarde…)

  • Andabata Mandelbrot

    Oi Cat!

    Sabe sempre bem um banho de realidade.

    Já agora, uma realidade de 95/96: “the Internet is for geeks”.

    😉

  • Olá Andabata! Hehehe claro que sim, muito bem visto. 😉

    No entanto continuo a concordar com a Gwyn: é para um nicho de mercado. Talvez não tenha ficado claro que, para esse nicho de mercado é extremamente útil e uma ferramenta excepcional (creio que a Gwyn fez algures uma comparação com os Macs versus os Pcs). O que me parece é que não causa qualquer impacto na realidade. Curiosamente haveriam abordagens que não são feitas de todo e que poderiam contribuir para um muito maior impacto na vida real. Estou a pensar, por exemplo, nesta nossa época em que a internacionalização do comércio é palavra do dia, no impacto que poderia ter uma Câmara de Comércio virtual. Ou em showrooms virtuais de feiras comerciais temáticas, exactamente à semelhança daquilo que é prática comum na RL, com stands de empresas e os potenciais clientes a estabelecerem contactos, ou, pelo menos, um primeiro contacto. Mas o SL não está, de todo, virado para esse mercado da economia real.

  • Andabata Mandelbrot

    🙂

    Claro. Já agora, há outras tecnologias de minorias: “eu não preciso de telemóvel, estou sempre em casa ou no escritório e posso fazer chamadas de lá. Agora tenho de me despachar que vou à passagem de ano 1988/89”.

    E o SL não causa qualquer impacto na realidade? Claro que não… 😉

    Melhoria de 28% nas notas dos guardas fronteiriços canadianos após formação em Second Life:
    http://www.virtualworldsnews.com/2008/09/quick-stat-seco.html

  • ahahahahahhah ok, mais uma bem vista sim lol. Ui quer-me cá parecer que isto tá

    Andabata 2 – Cat 0

    vou ver se consigo virar isto melhor lol.