Do Cais dos Vidrões partiram, confiantes e destemidos, os marinheiros.
Imagem de Ana Lutetia
De olhos postos no horizonte, por entre escolhos e marés, enfrentaram com igual seneridade assustadores monstros marinhos de oito olhos e melodiosos cantos de sereia.
Dias tornaram-se semanas, que se fundiram em meses. O tempo perdeu dimensão. Sobreviveram a mil e uma tempestades, com a esperança de que um dia seus olhos cansados encontrariam a terra prometida.
E de súbito, eis que soou, possante, a voz do capitão num anúncio solene: “Meus senhores, eis-nos finalmente chegados… ao Estreito de Magalhães!”
Alvoroçaram-se as almas e a tripulação acorreu à proa. Exaustos mas felizes, contemplaram o paraíso que se desdobrava para além das ondas mansas que batiam na costa. Os sorrisos de uns, espelhavam a alegria dos outros… sabiam agora que a aventura mal havia começado !!