GetaSecondLife

Ilha da UA, PaUP da UP, voz no Second Life

Na passada quinta feira, assisti a uma conferência absolutamente espantosa na Ilha da Universidade de Aveiro.
O tema e a razão deste evento, aqui explicado:

“Durante o workshop cef^SL tivemos a oportunidade de assistir a uma comunicação do Paulo Frias (PalUP Ling), com o título “Comunicação e apropriação do espaço em SL – o caso da cadeira de Hipermédia do 3º ano / Ramo Multimédia da LCC.UP“.Apesar do método ter sido ensaiado previamente com sucesso, devido a alguns problemas técnicos relacionados com uma ligação à Net a partir de Barcelona, não foi possível realizar a comunicação tal como estava previsto.
O desafio foi lançado pela organização do Workshop e aceite pelo Paulo Frias e por isso vamos voltar a realizar a comunicação tal como estava previsto inicialmente – com streaming de vídeo e a presença do avatar simultaneamente no SL.”

Nessa segunda tentativa, acabou por não acontecer como estava previsto, já que o stream de media não funcionou e decidiu-se que seria por áudio. O PalUP lá debitou a sua matéria de viva voz (cujo timbre foi também matéria de análise e conclusão unânime por parte do público feminino) e seguiu-se uma parte de perguntas e respostas. ´

É foi essa parte que me pareceu verdadeiramente espantosa. Numa realidade em que estamos habituados a comunicar através de texto, escrever uma pergunta e ouvir a voz de uma pessoa responder, é uma sensação bastante estranha. Muito giro e também muito curioso; a minha conclusão (opinião) é a seguinte:

Contrariamente ao texto, a voz é nua. O texto é pensado, escrito e editado as vezes que forem precisas; até um LOL pode ser pensado e decidido pelo autor que quer mostrar que se está a rir. Os silêncios tanto podem ser por apetecer ficar quieto, como por se ter ido à cozinha buscar um iogurte, ou a net se ter bloqueado; ou outra desculpa qualquer.
A voz não. A voz está ali e está presente. Claro que o dono da voz pode sempre dizer “vou ali à cozinha buscar um iogurte” mas estando lá, apresenta todas as nuances (incluindo as mais expontâneas): ri-se, hesita, pára, cala-se para pensar, diz ahn e hum e er e, misturada no meio de todo aquele texto de public chat, fica extremamente exposta.

Eu, que até sou uma defensora absoluta do modo-texto como forma de comunicação alternativa que me parece enriquecer essa comunicação enormemente (porque o texto é outra linguagem), achei que o PalUP tinha adquirido uma dimensão menos avatariada. Lá está: neste contexto, a alternativa é a voz. E é assim que vejo a introdução de voz no Second Life: como a alternativa ao texto e não o oposto.

  • Jose Flamand

    Bem, é melhor começar por dizer que não vou dizer mal disto dos chats 3D, ok Cat? 😉

    Dizes muito bem: ‘a voz é nua’. E o texto é a máscara que se interpõe entre o nosso olhar. E todos os argumentos da comunicação síncrona textual giram em redor disto: uns asseveram que os olhos são os nossos e que o seu brilho é indisfarçável, outros logo contrapõem que sim, mas que pelo meio há essa máscara veneziana que é o texto e que nos pinta das cores que quisermos. E logo os primeiros a dizerem que as cores com que nos pintamos também nos decifram, e os outros já com mau feitio (e talvez sem argumentos), a retorquirem que a diferença num mundo de máscaras está em que nele é não é só quem as põe mas também quem as interpreta que decidem como parecemos. Lá está, um jogo, uma ilusão que nós até podemos aproximar da realidade, mas uma ilusão. É por isso que não acredito que a voz vá vingar no SecondLife. Esse mundo/jogo/metaverso é giro, também porque se anda de máscara. E não estou a ver quem veja vantagens em fruí-lo sem levar a sua.

    ai, ai … pronto!

  • /me sorri… e aguarda as cenas dos próximos capítulos!

  • Jose Flamand

    olha a Ana. Vi-te hoje de manhã. No telejornal do café da manhã. Sem máscara 😉

  • Ok, deveria ter escrito “complementar” em vez de “alternativa” e era nesse sentido que usei a palavra. Não uma OU outra, mas uma E outra, havendo uma preponderância de uma em relação à outra. Depois escrevo mais.

  • (e já tatendo, Jose, mas agora tenho a sopa ao lume e não posso fazer-lhe pause :D)

  • Jose Flamand

    então. ainda não tens scripts para fazer sopas?

  • Não, mas tenho uma Bimby 😀

  • Hoje? Aliás, ontem? Querem ver que os gajos andam a repetir a coisa…?

  • Jose Flamand

    ontem não podia ser. ontem era domingo, e toda a gente sabe que os domingos não têm manhãs. era hoje mesmo

  • Summer Wardhani

    Eu confesso que estou como a AnaLu, a aguardar para ver. A primeira tentativa não me deixou entusiasmada, ao ouvir um tipo qualquer com voz de bagaço a dizer “ho, Sômô”, hehehehe… mas uma coisa é certa, as/os miguinhos do peito ah esses não se livram de levarem com o catarro, ai não, não !!

  • PalUP Ling

    hello!!! 1, 2, experiência :)))

    Obgd Cat pelo teu post sobre o assunto.
    Isto dá sempre um excelente tema de conversa, como se pode ver pelos comentários. Belo comentário do Jose Flamand!
    Tal como dizia eu nesse encontro na UA (a Cat tava distraída com a Bimby nessa altura, acho :), uma das questões mais interessantes em ambientes colaborativos como SL é a noção de “ilusão de vida”. Sem tentar agora discutir se o conceito “ilusão” pode ser mais ou menos positivo, resta-me acrescentar que a introdução da voz reforça essa ilusão e induz credibilidade. No entanto, transfere o imaginário da participação social para uma dimensão mais “real”, e muito menos interessante, na minha opinião.
    A experiência pode até ser curiosa, porque não habitual. Se se banalizar, as audio e video conferencias serão o SL do futuro: um MSN kitado 😉

  • Jose Flamand

    PalUP Ling, nem mais! (isto dito num tom entusiasmado)

  • M2life

    … e com voz na sl, os downloads de programas de som para disfarçar a voz vão aumentar em flecha… 🙂

  • eh eh eh eh

    Novo nicho de mercado: aulas para colocação de voz! 😉

  • PaulUP Ling

    hihihi Ana 🙂
    boa ideia, não tarda nada e temos a Bobone a dar “netiqueta” em SL 😉