Mega-Festa BES

Faz esta semana um ano desde que uma instituição financeira portuguesa — o Banco Espírito Santo — resolveu assentar arraial no mundo virtual do Second Life®, e não mais de lá saiu. Teimosos como são, e sendo uma das entidades portuguesas que mais investem em promoção, marketing, e novas formas de contacto com os seus clientes, por cá continuam, alegres e contentes, a promover ideias, conceitos, concursos, muitas festas, muitos espaços culturais, muitas áreas de confraternização — mas sem estarem a abusar demasiadamente da paciência dos nossos queridos residentes.

Trazidos para o SL pela mão da ARCI, a dificuldade foi primeiro encontrar uma forma de criar um “espaço BES” no SL. O pessoal da ARCI é veterano de quase 4 anos no SL; já viram dezenas ou centenas de projectos falhados desaparecerem pelo simples facto de que as entidades ficavam frustradas pela falta de interesse dos residentes em andarem a passear por edifícios vazios cheios de logotipos.

E isso, infelizmente, é o que ainda é muito do que por aí se vê em termos de presenças virtuais de empresas. Há, obviamente, cada vez menos que assim sejam. No caso do BES, a questão ficou logo esclarecida desde o início: não podia ser assim. Senão não valia a pena o esforço (e o dinheiro) investido. É certo que existem “balcões BES” no SL (que prestam informação e assistência sobre produtos e serviços BES durante um horário alargado), mas o objectivo não é esse. É apenas secundário. No mundo real, o BES é conhecido pela forma como promove actividades ligadas à cultura, à música, à educação, ao apoio a entidades sem fins lucrativos que tratam de dar uma melhor vida a muitas pessoas. É isso que, no fundo, esperamos que uma instituição financeira também faça: mecenato. O BES faz efectivamente muito na vida real (também poupa assim nos impostos 😉 ), por isso porque não colocá-lo a fazer o mesmo no SL?…

Através dos conselhos do rocky Musashi, é isso que tem acontecido. O BES tem financiado, directa ou indirectamente, a construção de réplicas de modelos de obras arquitectónicas da nossa história e da nossa paisagem urbana. Não é de estranhar que cada novo monumento revelado no SL pela mão da ARCI é melhor do que o anterior: é que também são financiadas a formação e o acompanhamento aos construtores que aprendem na ARCI a dar os primeiros passos no SL e que depois vão ser pagos para construírem novos projectos. O panorama musical do SL começa a ser uma das suas principais marcas — nesta era pós-excitação dos media — e é perfeitamente razoável que também seja o BES a financiar os novos músicos que se lançam no SL muitas vezes sem qualquer expectativa de retorno pelo seu trabalho mas que querem apenas dar a conhecer ao mundo a sua música. Receber algo em troca é extremamente motivador.

Por isso do BES não devemos esperar “balcões, balcões, e mais balcões” a aparecerem um pouco por todo o lado. Em vez disso, o BES está a apostar na sua vertente de mecenas da cultura e da educação. E os meios on-line são também cultura — fazem parte da nossa sociedade, quer os nossos amigos (que choram a rir com as descrições que fazemos do SL) acreditem ou não. Não podemos ignorar que tudo o que se passa nos mundos virtuais faz indubitavelmente parte do nosso conhecimento enquanto espécie, e que os meios podem ser diferentes (pixels em vez de átomos), mas os elementos que nos tornam seres humanos também aqui estão: a nossa capacidade criativa, a realização artística, a comunicação com outros seres humanos, a educação e a aquisição de conhecimentos. Tudo isso se passa hoje em dia no meio do Second Life — quer o consideremos apenas “lazer”, brincadeira, ou pouco mais do que uma forma de passar o tempo — e estar a apoiar ou mesmo a fomentar este aspecto da nossa cultura é igualmente importante.

Por isso, se estiverem em casa esta sexta-feira à noite, aborrecidos porque não dá nada na TV e porque o tempo não está tão bom como isso para dar um saltinho às Docas tomar um copo, e nada mais nos resta do que ficar em casa… o BES tem um programa de festas para comemorar o primeiro aniversário bastante extenso. São oito horas de entretenimento, lazer, música, concursos, diversão — e o reencontro com amigos, conhecidos, e também desconhecidos que por lá estarão a divertir-se connosco. Vai ser provavelmente o evento mais longo realizado pela comunidade portuguesa nos últimos anos e uma pequena marca comemorativa de que, por mais que digam o contrário, ainda somos muitos que estamos por cá — e cada vez mais 🙂 — e temos ainda realmente muito para fazer nesta “nova fronteira” virtual que ajudamos a desbravar.

Para uma lista das comemorações, podem ver o anúncio oficial aqui, ou em português aqui.

…e no Flickr têm esta imagem tirada pela Naima Aya que mostra a “planta” do local das festas.

Nota: Infelizmente até à data o BES não fez nenhum press release oficial do evento, pelo que o Geta não assume a responsabilidade de quaisquer incorrecções que possam ter ocorrido. Mas agradecemos que estas nos sejam apontadas a fim de serem corrigidas!