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Paisagem humana

Se há algo que me fascina no SL, desde o início, é a dimensão humana da plataforma. Adorava assistir, a cada reentrada, ao número sempre crescente da população total da plataforma traduzida no número de registos. Contudo, esta sempre crescente população (já vai acima dos 12 milhões, até à data), esmiúçada, revela uma composição algo distinta e reveladora da dinâmica que a plataforma está a seguir.

População Total:

Registou subidas espantosas nos últimos anos. A população não parou de aumentar desde a criação da plataforma com registos anuais superiores a 2000% (2003 e 2006). Não deixa de ser impressionante que, em 2006, já acima de 1 milhão de registos, tenham sido apenas necessários 2 meses para duplicar a população. De seguida, o tempo necessário passou para 5 meses e, mais recentemente, 9 meses.

Os valores anuais evidenciam bem a progressão geométrica da população ao longo dos anos:

2001…1
2002…96
2003…2.103
2004…17.056
2005…99.623
2006…2.267.092
2007…11.704.934
2008…12.374.671 (até 08.02.2008)*

* será o 2º pior aumento absoluto nos últimos 14 meses onde se registou uma média mensal de 750.000 novos registos

Contas premium

Apesar do forte aumento da População Total, os sucessivos aumentos da população detentora de contas premium não registou aumentos tão fulgurantes. Para se ter uma ideia, em 2006 as contas premium registaram um aumento superior a 300% para aumentarem apenas 87% em 2007. Contudo, no 2º semestre de 2007 as contas premium registaram um decréscimo de 1,5%. Se associarmos as contas premium à população total (PT) obtemos os seguintes resultados:

2005…12.433 ou 12,48% da PT
2006…49.776 ou 2,20% ” ”
2007…93.219 ou 0,80% ” ”

Por outro lado, tendo a Linden Lab apenas disponibilizado dados até ao mês de Setembro de 2007, inclusivé, a população total representava 142% da população com registos únicos, ie, os 42% “a mais” correspondiam a alts de utilizadores já registados (6.736.832 versus 9.596.742).

Avatares activos

Esta é, sem dúvida, a parte mais interessante dos dados disponíveis para efeitos de análise. A Linden Lab considera como activos os avatares que passem pelo menos 1h por mês inworld. E este número, manteve-se praticamente estável ao longo de 2007 (dados “consistentes” a partir de Maio), com um valor médio de 530.000 avatares activos com variações mensais de + ou – 7%. Ou seja, apesar do forte aumento de registos, o número de avatares activos mantém-se praticamente inalterado ao longo do ano passando, na relação directa avatares activos/população total, de 7% em Maio para “apenas” 4% em Dezembro de 2007! Este valor, quanto a mim, fará tocar os sinos (ou não?). É que, à falta de mais dados disponíveis, nomeadamente do número de “abandonos” da plataforma, a estabilidade do número de avatares activos traduz uma de duas coisas: 1ª os novos registos não se consolidam e os avatares que já antes eram activos permaneceram pelo que o sistema não consegue atrair novos utilizadores de médio-longo prazo; 2ª é que o número dos que consolidam a sua presença na plataforma acima de 1h mensal é sensivelmente igual ao dos que deixam de utilizar a plataforma em, pelo menos, 1h mensal…

E, nesta análise, entendemos ser interessante particularizar alguns casos. Portugal foi o país da União Europeia com maior redução de avatares activos entre o pico de 2007 e o fecho do ano (Dezembro), considerando o período de Maio a Dezembro. O número de utilizadores registados a partir de Portugal caiu mais de 54%, ie, perdeu 4.762 avatares activos (em menos de 1 ano!) ficando, a 31 de Dezembro de 2007, com 3.986 avatares activos. A União Europeia, no mesmo período, perdeu 40.277 avatares activos (-16,44%), os EUA 14.662 (-7,28%), o Japão 15.504 (-34,57%) e o Brasil 21.087 (-43,91%). O mundo, visto do SL, perdeu 42.538 avatares activos (-7,58%).

A repartição dos avatares activos por regiões do globo é igualmente interessante com a União Europeia (39,4%) e os EUA (36,0%) a repartirem entre si 3/4 dos avatares activos totais. Nota para o forte aumento registado em Outubro nos EUA devido, muito provavelmente e entre outras razões, à entrada do CSI no SL. Contudo, desde essa altura, o número de avatares activos dos EUA não tem parado de cair.

Momento de viragem no SL ou algo mais complicado?

(Gostaria de deixar aqui alguns gráficos a ilustrar tudo isto mas, sinceramente, não tenho muito tempo. Logo que seja possível aqui serão colocados.)

Brevemente, darei continuidade à análise estatística do SL de acordo com os dados que estão disponíveis e são públicos.

  • Muitíssimo interessante a tua análise e deixa uma série de questões quanto ao futuro do SL. No que diz respeito aos portugueses, a tendência parece ser perfeitamente clara. Não chega a 4.000 utilizadores activos, o que não é nada; e com uma forte quebra. Somos uma espécie em vias de extinção, portanto…:D

  • José Oliveira

    Estudo impressionante. Parabéns! Será que o cenário muda quando a LL abrir o código, caso cumpra a promessa? Quando será? Como será o SL depois? Abraço!

  • E aqui há uns tempos éramos uma comunidade em crescimento.

    O SL está em open source, não está? Está. Aliás, foi assim que o Nicholaz Beresford criou o seu viewer (onde, segundo consta, os crashes são muito menores).

  • Está em open source, sim. Aliás já podemos ter open sims em casa e tudo. 😉 Um dia destes a ver se funciona sem ser em “modo servidor”.

  • A versão open source é ideal como feramenta de trabalho e de desenvolvimento de pequenas comunidades… agora em grande escala?

    Só me resta acrescentar… será que já anda tudo a espera da plataforma da GOOGLE???

  • Pois é cat, somos claramente uma espécie em vias de extinção… lol. Por muitas e variadíssimas razões: o clima, o ritmo de vida, ausência de uma boa ligação à net, maus PCs, mais o que fazer do que estar no SL, etc… lol.

    Olá José. Muito obrigado. A Ana e a cat já responderam quanto ao Open Source. Mas é delicado. Algo se passou, em termos de SL, que acabou por provocar o afastamento das pessoas da plataforma. E não foi o IVA…

    Ana, pois é. As coisas mudam. Para te ser sincero, não sou de “comunidades”. Talvez por ser emigrante, não acho grande piada ao conceito. Por onde tenho andado, por esse mundo fora, gosto de misturar-me com as gentes dos sítios para onde vou. Só assim recolho para o meu “eu” o que eles têm para me dar. Encaro o SL exactamente da mesma maneira. Como eu, imagino que muita gente. O desencanto com o SL terá a ver, muito provavelmente, com a incapacidade da plataforma em gerar motivos de interesse para o(s) segmento(s) que fazia(m) parte dos quatro mil e tal que abandonaram. Nada mais natural, portanto, visto numa perspectiva de comunidade.

    Com essa é que me surpreendeste Santinhos… a Google está a preparar uma plataforma?!…

  • Miguel Yesheyev

    José Oliveira, a questão do Open Source está bem explicada aqui http://secondlifegrid.net/programs/open_source

  • Jose Oliveira

    Gostaria apenas de esclarecer o que considero que poderia ser um gigatesco avanço para o SL (ou outro MV). Penso que empresas como a IBM aguardam isso. Todas as plataformas, viewers, servidores, so’s, etc, deveriam estar totalmente abertas a todas as variações, caminhos, etc, a qualquer um, ou a qualquer empresa. Cada ilha, ou território, poderiam estar alojadas em servidores diferentes por todo o mundo, em empresas de alojamento comuns, como acontce com os sites. Cada ilha teria o seu próprio IP (ou IPs) e, no teletransporte, basicamente andariamos de servidor em servidor (independentemente de onde estivesse). Sendo um alojamento totalmente livre, com desenvolvimento totalmente aberto, imaginem o que os operadores, empresas de alojamento e de desenvolvimento, etc, poderiam fazer. O SL passavaria assim para o mundo, para a gestão universal. A moeda passaria a ser a normal, a de cada país, como acontece hoje na Internet. Seria como uma nova Internet em que os sites seriam substituidos por escritórios virtuais, funcionários virtuais, rumo à realidade virtual na Internet. Se a LL não quer abrir mão do controlo, então poderia aparecer uma comunicade a fazer isso? Será essa a Internet do futuro? Em que moldes? Quem lideraria o projecto? A LL parecia ter tudo para o fazer e, virtualmente, está a deixar fugir a oportunidade. Quam o poderá fazer então? Um abraço 😉