GetaSecondLife

O mundo na SL

Depois da análise efectuada à realidade “humana” da plataforma, dedicámo-nos a espreitar o mundo na Second Life. De acordo com os dados disponibilizados pela Linden Lab, apenas a partir do fim de Outubro de 2006, o mundo virtual nessa altura totalizava apenas 218km2 – equivalente a 3x São Marino – repartidos por 2.049 ilhas (62% da área total) e o remanescente em Mainland (área detida por residentes).

Em pouco mais de 1 ano, a área total correspondente ao mundo da Second Life mais do que triplicou (+342%). As ilhas foram eleitas como área preferencial, independentemente de serem mais caras do que Mainland, registando, em igual período, um aumento de 480%. Contudo, o ritmo de expansão deste mundo virtual foi perdendo velocidade com as variações mensais de dois dígitos a darem lugar a crescimentos progressivamente menores. O mês de Dezembro de 2007 foi o 9º mês consecutivo de abrandamento do ritmo de expansão (ver gráficos), chegando mesmo a haver variações mensais negativas da área em posse de residentes (caso de Mainland, ver Gráfico 1). Os gráficos que se seguem evidenciam bem a forte desaceleração do crescimento da área do mundo Second Life.

mainlandsl4.png islandssl4.png

A forma como a área total foi evoluindo, pela sua composição, mostra uma maior apetência por ilhas em detrimento de área continental (Mainland), por parte dos residente. De tal modo assim é que se em Outubro de 2006 as ilhas representavam 62% da área total, um ano mais tarde já representavam 79% e, em Dezembro de 2007, 81%.

Os dados não deixam de ser interessantes e, tal como são disponibilizados, apenas permitem deixar adivinhar as movimentações em torno de áreas por comparação com a população (total, activa e natureza da mesma). Apesar das dúvidas e dos sinais evidentes de desaceleração, o mundo em Second Life contava, em Dezembro de 2007, com 11.876 ilhas correspondentes a 778 km2 e uma área continental de 185 km2, perfazendo uma área total de 964 km2 ou seja exactamente a área do arquipélago de São Tomé e Príncipe, no mundo real. Os dados actuais apontam para uma nova aceleração no número de ilhas novas, com o número total a ascender às 12.397 no fim de Janeiro de 2008 e 12.633 até à data.

  • Bolas (ainda estou a digerir o tamanho diminuto do SL em Km2…). Não se tem a noção da desaceleração, quando não se vê a variação: mas assim a tendência é absolutamente clara, pelo menos nas ilhas. Os gráficos estão bestiais!

  • Miguel Yesheyev

    Sim, a tendência é muito clara. Contudo ainda não é uma “recessão” mas sim uma “soft landing” já que continua a aumentar mas a um ritmo mais moderado. Interessante é, pelo menos nas ilhas, a área acrescentada ter acelerado outra vez embora ainda 30% abaixo do valor médio verificado em 2007.

  • Deve ser também por isso que o LL anda a apostar no Public Works para alindar a Mainland. Com aqueles anúncios todos e o lag, deixou de ter qualquer atractivo, mas com esta desaceleração da compra das ilhas, têm que tentar puxar o cliente para o lado da mainland outra vez.

  • Miguel Yesheyev

    (Claro que em escala logarítmica ficaria muito melhor…). Pode ser que a aquisição de terra dispare novamente. O único (grande) entrave a uma possível expansão da plataforma terá a ver, por um lado, com a própria dinâmica que a Linden Lab lhe conferir de modo a atrair mais residentes (sabias que, segundo um artigo na The Economist, apenas 10% dos novos registos ficam activos ao fim de 30 dias? O que me pergunto é o que se passa com a outra metade…) e, por outro lado, a evolução recente do ciclo económico nas regiões do globo onde a plataforma está mais enraízada (afinal são dois, os entraves… lol!).

  • Hum, quer dizer que existe um factor positivo de “angariação de clientes” na parte inicial: com a publicidade toda, há curiosidade e tal, abrem conta; depois o modelo não corresponde às expectativas e vão-se embora. Se calhar o LL deveria montar um esquema de marketing mais agressivo nas ilhas iniciais, onde os avies nascem…porque deve ser logo aí que os perdem.
    Quanto à recessão ou enfim o que lhe queiras chamar, pode por um lado levar a menos orçamento disponível para o SL mas por outro acaba por ser uma “diversão” mais barata do que jantar fora e ir ao cinema…

  • Miguel Yesheyev

    Depende… para quem quiser uma ilha, no caso dos EUA, pode ser o equivalente à prestação mensal da casa… lol

  • Cá também, pá! LOL! Mas isso é se quiserem uma ilha. Nem toda a gente quer/precisa de terreno e não tem que ser gente que apenas quer o lado lúdico da questão. O que me parece é que a ferramenta não está a ser bem acompanhada (porque divulgada é) de início para o cliente individual (ie sem apoio de comunidade, universidade, qualquer coisa). Estou a pensar ali no caso dos arquitectos da UCP: há quanto tempo é que falamos sobre o potencial daquilo em Arquitectura? E, no entanto, os arquitectos que conhecemos chegaram lá, olharam e disseram “o archicad é melhor”. Não há apoio de início, personalizado. E não é via Mentors só para os primeiros passos mais generalistas. Nós não tivemos e safámo-nos em cinco minutos, mais mês, menos mês. É mesmo apoio especializado.