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Claro que sabia que no SL havia RP (RolePlay), mas pensei sempre que seria do género “agora vamo-nos a eles e damos-lhes cabo da saúde”, uma espécie de palhaçada com armas em “combat sims” (locais onde se perde “vida” como nos outros jogos todos do género). E deve haver desses também, que me lembro de ter seguido um Surl para ver não sei o quê e ter “morrido” assim que lá entrei.

E depois, RP dentro do SL? Não faz grande sentido, achava eu. O SL é, todo ele, um gigantesco RP, onde as pessoas assumem o que quiserem em relação à personagem que ali encarnam: podem não ter grande paciência para inventarem muita coisa, ou terem um ego assim como o meu, que ultrapassa tudo quanto eu me lembrasse de inventar, mas também podem ser o que quiserem e não vem grande mal ao mundo: as regras são essas e nunca se sabe se aquela pessoa que nos está ali a contar uma história de ir às lágrimas, que é assim e assado na vida real, é na verdade assim ou não. Com o tempo ou porque realmente conhecemos as pessoas, lá chegamos, mas isso nem é o tema do post.

Resumindo, num mundo onde toda a gente pode ser o que bem lhe apetecer, já é role-play suficiente, parecia-me.

Mas não. Dentro do SL há outros mundos de “verdadeiro” RP e eu, curiosa como sou, não descansei enquanto não fui lá meter o nariz a ver como era, isto depois de fazer uma pesquisa por Steampunk, basicamente porque não estava de todo a ver o que é que uma pessoa (uma avatara, mais precisamente) vestia, para uma formalidade dessas. (Claro que 90% do divertimento, até agora, tem sido andar à procura de trapinhos para a boneca, como é evidente!)

Tratado o assunto da roupa, eis-me a passear num sim de Steampunk Victorian RP. Com uma tag de “observador” por enquanto. Lindo, o sim, um espanto, para passear vale imenso a pena; procuro pelas pessoas e caio numa festa onde está toda a gente calada. Ou quase. Uma das pessoas dá-me os bons dias, mas eu fico caladinha que o notecard das instruções é claro: observadores não podem falar. Obviamente a tal pessoa não reparou na tag ou não leu ela as regras do jogo.

Bom, ao fim de um bocado de ali estar e concluir que aquela festa é igualzinha a todas aquelas onde está tudo aos pulos e ninguém fala, ocupadíssimos que estão nos IM’s, resolvi voltar noutro dia e experimentar outro RP.

(isto tudo com a ajuda preciosa de um amigo, o J., que é fã de RP e que me tem dado imensas dicas e ajudas)

Este novo RP sim é de elfos e coisas afins. O set é medieval e por ali cabe todo o género, homens, elfos, dragões, anões, enfim, mais Lotro que o anterior. Pensei em ir passear e, provavelmente, assistir a uma festa que iria ter lugar passado um bocado, para ver como era, quando me aparece uma criatura muito prestável. Conversa puxa conversa, mas sempre dentro da personagem

“May I be of help, M’Lady?”
“Thou are very kind, stranger”

etc etc

e, de repente, dou por mim a ser contratada para uma Guild. Ah poizé! Só por ser simpática e gira e dizer que sim a tudo, que estou interessada e acho tudo lindo e sim, quero entrar na coisa, apanho logo não só com a tag do sim, mas ainda com a tag daquela associação (de Rangers, btw). Vou falar com o “chefe”, que me diz que tenho que ir a umas aulas de tiro e mais umas quantas coisas, para subir na carreira. Infelizmente a hora não é das mais favoráveis a quem vive na Europa, portanto respondo que vou tentar, mas provavelmente prosseguirei no mais nível mais baixo. Toda esta conversa é um bocado surrealista: no chat público, mantém-se a personagem, com grandes salamaleques, “beware of the Dragon, M’Lady”, “Our deeds are done by word and sword”; no IM conversa-se normalmente “então estás onde, na Europa?” e “Vê lá se consegues ir às aulas porque são mesmo obrigatórias neste RP” e “está quase na hora de os meus filhos irem dormir”.

Depois a minha mentora na coisa ainda me ensina a usar os huds e o arco e flecha e entretanto desliga que tem que ir meter os filhos na cama. Decido ir cuscar a tal festa onde tinha pensado ir, antes de ter sido contratada e lá vou eu. É uma festa de elfos.

Ora bem. As elfas têm todas cabelos compridos, decotes a condizer e enormes saias esvoaçantes. Coisa de gaja, portanto, ser elfa, dá jeito, pode-se sempre usar uns vestidos tcharam. No meio daquelas flores, sinto-me uma Aragorna (dark and misterious, estão a ver o género) e fico ali, a saborear o enorme lag, a ouvir as conversas e a ler profiles.

Aquela gente é toda doida. Toda. Doida varrida. Ou então não, se calhar são menos que nós, os avatares quase pessoas reais, quem sabe. As conversas são mesmo dentro das personagens, sobre as invasões que sofreram noutros mundos, os deuses que adoravam, os monstros com que se cruzaram. E os profiles (é obrigatório inventar um passado e colocar parte dele no profile) são de cair para a banda. Histórias a sério, com muita desgraça e aventura à mistura, a criança que foi adoptada por dragões, a rainha que foi deposta noutro mundo, tudo cheio de detalhes e claro! muito épicas e cada um deles é um grande herói. Pois tá claro, haviam de ser o quê? A gata que caiu lá de páraquedas? 😀

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Mas não deixa de ter piada. Acho que vou voltar lá e ver que tal me dou com a espada.