Antes de chegar à parte dos detalhes mais práticos, talvez seja melhor começar pelo “porquê”. Porque raio é que uma pessoa, no seu juízo perfeito e com contas para pagar, resolve gastar umas coroas para comprar um bocado de terra que, por muito gira que seja, não passa de espaço num disco algures e de uma data de pixeis?

E quanto a isso há duas respostas possíveis.

Uma, a mais abrangente, é aquela que vem sob a forma de outra pergunta: porque é que as pessoas compram coisas que não servem para nada? Porque gostamos delas, não é? Porque dão gozo, por pura diversão, entretenimento ou mero prazer. Qualquer razão é válida para gastar uns patacos naquilo que não serve para rigorosamente nada (de “útil”) e resume-se a: porque me apetece.
(Por exemplo: eu, que nem uso relógio, acho estranhíssimo que se gastem fortunas em relógios quando basta uma porcaria qualquer que diga as horas; mas a malta gosta e até há revistas; e, por mim, tudo bem.)

A segunda razão é que, sendo o Second Life um jogo (continuo a não considerar a coisa apenas um jogo, mas para simplificar as coisas, uso a palavra agora), é muito mais divertido “jogar o jogo” em todas as vertentes que sejam apelativas. Há outras que, para mim, não são, como os RPG’s dentro do SL ou as corridas (embora ainda me falte acabar uma aventura gráfica de caça ao tesouro, ir ver o Myst e parece que há também um point-and-click à antiga que deve ser curioso) mas editar um terreno e espetar-lhe lá para dentro com tralha vária que se procura aqui e ali, isso sim, é muito muito divertido. É um Sims Brincar às Casinhas (e eu que nunca joguei sims na vida nem sei como é, aqui a botar esta comparação, também me fica bem…). É muito mais que divertido. É mesmo muito giro. Talvez para quem trabalhe em programas de arquitectura e paisagismo isso seja o dia-a-dia; mas, para leigos, é uma oportunidade excepcional de construir um mundo a três dimensões à medida do nosso gosto.

Eu sempre gostei de legos…