No século XIX, viveu um pensador chamado Thomas Malthus, que popularizou a ideia que um dia, o ser humano ia esgotar os recursos do planeta pelo simples efeito da sobrepopulação – ou sobre-reprodução, como queiram. Este misticismo influenciou Marx e outros iluminados, e ainda hoje persiste no imaginário público – hoje, por exemplo, na revista “Xis” do jornal Público, noticiava-se que a água está para acabar.

Não é preciso evocar princípios de Economia para observar que este medo é irracional. Nunca como hoje houve tanta gente no planeta, e nunca como hoje houve tanta abundância. Há questões morais (serão?) de “desigualdades”, mas o facto é que os miseráveis hoje vivem como viviam os miseráveis de ontem, mas todos os que beneficiam de sociedade livres e do correspondente sistema económico, o capitalismo, estão tendencialmente melhor. A alternativa é sujeitar as populações a um cuidadoso socialismo, o mesmo que tão bons resultados deu no mundo soviético ou chinês comunista, e ainda dá em países como a Coreia do Norte, Zimbabwe, e futuramente um pouco por toda a América Latina neo-revolucionária – o mesmo que é defendido por um senhor da EPAL, também na mesma revista.

Adiante: no futuro, haverá ainda mais gente neste mundo e ainda mais riqueza. E um dia a população terrestre irá estabilizar, porque as pessoas, tal como acontece no “primeiro mundo”, começarão a escolher entre viver a vida ou criar filhos, coisa que dá uma trabalheira quando não são necessários como aforro para a velhice. E a água não está a acabar, porque na Terra existe qualquer coisa como 1,4 mil milhões de quilómetros cúbicos dela. Se alguma dessa água é difícil de obter em condições, só com mais capitalismo isso é possível.

Adiante, adiante, adiante: esta sabedoria sempre existiu na maior parte de outro grupo de pensadores, bem menos populares: escritores de ficção científica. Isaac Azimov, Robert Heinlein, Philip K. Dick, William Gibson e amigos. São recorrentes nas suas obras as megalópolis, cidades que cobrem zonas vastíssimas do planeta (ou de outros). Temas como a sobrepopulação nunca lhes apelaram [nem tão pouco o “aquecimento global”, porque afinal no futuro será banal contrariar o Tempo…] – não existe tal coisa, a não ser em ideologias anticapitalistas. Pelo contrário, preocupavam-se com aqueles acontecimentos que impediriam a manutenção de populações imensas. Poderiam ser, entre outros, aliens pouco sociais, epidemias mortais, guerras nucleares, socialismo à escala mundial, e assim por diante.

Nestes eventos, incluiam a acção de máquinas inteligentes fora do controlo do Homem, e hostis a ele. O tema é demasiado vasto para desenvolver aqui. Digamos apenas que aquelas máquinas que considerassem o ser humano como recurso valioso, tenderiam a geri-lo como se gere um sistema agrícola (e aqui faço a segunda referência do dia ao filme Matrix), e manteriam os humanos sob controlo absoluto para garantir que o stock não acabaria. Outras máquinas poderiam não ver qualquer utilidade nos humanos, que seriam uma peste insuportável (ideia partilhada por muitos ecologistas), pelo que resolveriam exterminá-los (exemplo: Exterminador Implacável).

Será que um dia existirá “vida artificial inteligente” no Second Life®? Será que um dia os scripts poderão ganhar consciência, como seres vivos habitando dentro da Rede? De que forma interagirão connosco? Tratar-nos-ão bem?

Mas essas seriam “máquinas inteligentes” de uma ordem superior. Pensemos mais pequeno. E as ameaças microscópicas, como os vírus, que já existem na net? Sobreviverá uma rede de redes a um ataque de um vírus inteligente? Os tais escritores nerd elaboraram sobre as várias temáticas associadas. É interessante que mesmo aqueles com visões mais negras consideraram que o ser humano sobreviveria, se não lhe retirassem a liberdade e o amor a si próprio – o individualismo.

Às tantas, surgiu um conceito assustador. Um microagente letal seria aquele que usasse a força bruta à escala microscópica, esgotando todos os recursos no seu horizonte. Uma máquina microscópica capaz de se replicar, na presença de quantidades mínimas de matéria, criando “imagens” de si própria, com igual capacidade e voracidade. Este processo, repetido, criaria uma massa de micromáquinas capaz de “comer” ou ocupar toda a realidade- tal como acontecia com o Nada do livro A História Interminável. Um verdadeiro apocalipse malthusiano.

Isto não é possível acontecer no Second Life®, pois não?